Depois dos congressos da África do Sul (1984), Dinamarca
(1988), Inglaterra (1992), Austrália (1996), Holanda
(2000) e Estados Unidos da América (2004), coube agora à
Republica da Irlanda ser o anfitrião do Congresso
Mundial da raça Rhodesian Ridgeback.
Desde Inglaterra que marco presença constante neste
evento, sempre a expensas próprias (informação gratuita
mas que quero prestar, cá por coisas), embora nas
últimas duas edições me tenha apresentado como delegado
oficial do RR Clube de Portugal, tendo apresentado
candidatura inclusive do nosso pais à organização do
evento, respectivamente para os anos de 2012 e 2016.
Infelizmente mais uma vez perdemos, se em Fort Worth era
esperado ficar em segundo devido à forte presença dos
Canadianos, já que também eram candidatos, estavam em
grande número e eram de ali mesmo ao lado, na Irlanda
esperava ganhar. Não ganhamos essencialmente porque me
encontrava completamente só, no meio de 152 delegados,
em contraste com os 14 representantes dos países
Escandinavos, ainda por cima maioritariamente senhoras,
que não se pouparam a esforços para angariarem apoiantes
para a sua candidatura durante todo o congresso.
Perdi bem, embora por uma diferença mínima (63/57),
ficando no entanto com a firme certeza que se nos
recandidatarmos ganhamos com certeza, tal a quantidade
de pesos pesados que desde logo me incentivaram e me
prometeram apoio numa próxima candidatura, Lyz Megginson
(Glenaholm – R. South Africa), Dorothy and David
Grayson-Wood (Isiqa - presidentes honorários do RRCGB -
England), Clayton Heathcock (Camelot - USA), Jack Selby
(Eilack – England), Richard van Aken (Cartouche RSA), os
presidentes do RRCUS (USA) e RRCC (Canada), entre muitos
outros.
A
minha apresentação era muito melhor que a Escandinava e
foi muitíssimo elogiada, inclusive para tentar inverter
a situação, tive o auxílio da Vanessa Moyano (Molema Mua
Roo) representante de Espanha. Concordamos, para dar
mais força à candidatura, que embora realizada em
Portugal, esta abrangeria e seria apresentada como da
península Ibérica. Também o David presidente honorário
do RRCGB fez o favor de fazer a introdução da
candidatura Ibérica, levando consequentemente atrás
dele, a maioria dos Ingleses e Americanos, salvo claro,
os que já estavam comprometidos com a candidatura
Escandinava, principalmente pelo facto de a votação ser
feita de braço no ar. Tudo isto no entanto, e
infelizmente, não foi suficiente para vencer.
A
apresentação, executada em tempo recorde pela minha
amiga Guida Rodrigues, isto depois de sem ninguém o
esperar, me ter falhado dias antes a pessoa que estava
indigitada e encarregada, desde alguns meses atrás, de a
fazer. Tendo sido concluída, já bem tarde, na tarde
anterior ao dia da minha partida. Para a finalizar, tive
ainda a ajuda dos meus amigos Paula Botelho, João
Gonçalves, e de alguns dos seus funcionários,
principalmente dando dicas e opiniões e arranjando
material de suporte na net.
O
Congresso, é sempre uma jornada/acontecimento importante
para a raça, e para o fortalecimento de alguns bons
laços e relacionamentos (eu disse alguns), existentes
entre criadores. É cumulativamente uma passagem de
conhecimentos e testemunho entre os da antiga e da nova
geração, principalmente para aqueles, que embora
acabados de chegar, querem beber conhecimentos dos mais
velhos e experientes, sem terem a pretensão de que já
sabem tudo.
Foi batido o recorde de delegados e de países
participantes, 152 delegados de 26 países, a delegação
mais numerosa era da Inglaterra com 36 delegados,
seguindo-se os Estados Unidos da América e Canada com 15
delegados cada, a anfitriã tinha 13 delegados, a Holanda
e Alemanha contaram com 10 cada, Austrália 8, Noruega 7,
África do Sul e Bélgica 5 cada, Irlanda do Norte 4,
Suécia e Dinamarca 3 cada, seguindo-se um grupo de
diversos países com 2 delegados, Nova Zelândia, França,
Polónia, Eslováquia e Itália, finalmente os países com
um só delegado como Portugal, Escócia, Finlândia,
Barbados, Espanha, Israel, País de Gales e Suiça.
Para além do falecido Stig Carlsson, mais uma vez foi
muito notada a ausência do casal Wallace, a Margareth e
o Sam (Mushana), um casal de referência na raça não só
pela reconhecida qualidade dos seus exemplares, como
ainda, por terem sido os lideres e pilares do Parent
Club durante os últimos 25 anos. Infelizmente, devido à
situação e aos acontecimentos que tem fustigado o
Zimbabwe nos últimos anos, desde o congresso da Holanda
que não contamos com a sua sempre agradável presença.
No programa constavam diversas apresentações/palestras,
algumas bastante interessantes e com sobeja importância,
desta vez, assim se espera, alguns desses assuntos
depois de devidamente trabalhados, trarão decididamente
largos benefícios para a raça. Foram ainda discutidas
diversas matérias de alguma premência, cuja clarificação
era deveras importante, tendo inclusive, sido finalmente
arredada a patética ideia apresentada no ultimo
congresso do Texas, de se caminhar para duas raças com
estalões diferentes. Consequentemente, e como mais
abaixo daremos conta, foi nomeada uma comissão para
reajustamento do estalão da raça.
Durante o chamado Icebreaker ou Welcome drink, os
participantes reviram-se e apresentaram-se através de
amigos ou directamente aos congressistas estreantes, foi
um período agradável, não fosse o caso de paralelamente,
a dado momento, terem posto à venda o “ Congress
merchandise”, o que retirou quase de imediato aquele
clima de serena confraternização, passando-o de imediato
para um do tipo “feira”.
Por falar em mercadoria para assinalar o congresso, mais
uma vez se pecou por falta de originalidade e
quantidade, logo após o tal “Icebreaker” deixaram de
existir as T-shirts, os Pólo shirts e os Regata jackets
do evento, nas medidas medium, large e extra large,
restando somente alguns números small e XX large, para
além de, tirando o material já mencionado, só existirem
baseball caps, lenços de senhora que nada tinham a ver
com o evento e mais outras quinquilharias sem qualquer
nexo.
Para os fumadores a vida na Irlanda está insuportável,
para já durante todos os quase 6 dias só não choveu ou
chuviscou por 5/6 horas, diariamente tínhamos chuva
forte durante períodos de 30/45 minutos pelo menos duas
vezes ao dia, por 3 vezes pensei que era desta vez que
ia acontecer um novo dilúvio. O sol, esse só o
vislumbrei por uma vez e num espaço de 2/3 horas, agora,
se acrescentarmos que não se fuma, nem nas zonas
publicas do hotel, nem nos carros alugados, nem nos
quartos, nem em restaurantes ou bares, ficando
exclusivamente com a rua para fumar, num clima daqueles,
realmente os fumadores que não morrerem de câncer dos
pulmões, de pneumonia vão morrer com toda a certeza. A
organização, principalmente a cargo dos meus amigos
Dennis Boyd e do Tony Lord Edwards esteve simplesmente
impecável, tudo foi feito para que os congressistas se
sentissem bem e que tudo estivesse em ordem, tanto
aquando da chegada, como durante as sessões de trabalho,
como ainda durante os jantares, inclusive, no próprio
dog show (indoor), tudo estava agradavelmente bem
organizado, tudo foi sem dúvida o fruto de um trabalho
intenso, apaixonado e muito cuidado, para que tudo desse
certo e todos se sentissem bem.
No primeiro dia de trabalhos, a primeira oradora foi a
Ann Woodrow (Mirengo), uma das mais conceituadas
criadoras do Reino Unido, autora de um dos melhores
livros sobre a raça, dona e criadora do mítico
“Mandambo”, considerado um dos melhores exemplares da
raça de sempre. A sua intervenção foi uma chamada de
atenção para o actual standard, as suas actuais
incongruências e a necessária revisão urgente que se
deve fazer. Definitivamente arredou-se a tal ridícula
ideia dos dois estalões/duas raças, concordou-se em não
aumentar a altura ao garrote (61/66 – 63/69), e por
outro lado até limitar o mínimo e máximo aceitável
(59/68 – 61/71), aumentou-se o peso ideal em cerca de
quatro quilos tanto para machos como para fêmeas (32/36
para 36,5/40,5), deixando-se no entanto, por ainda
insuficiente, agora que parece finalmente arredada a
ideia de criar cães agalgados (75cm/37 kg), para a tal
revisão do estalão, a fixação de um peso ideal mais
realístico.
Em virtude de alguns desenvolvimentos e interferências
no que concerne à raça, principalmente por parte do KC,
resolveu-se ainda que num próximo estalão, seria vincado
a total desqualificação de cães sem risca ou coroas, ou
com uma ou mais que duas coroas, ou ainda com graves
dissimetrias das coroas, inclusive, limitando-se essa
mesma dissimetria. Na generalidade a apresentação foi
bastante interessante e muito bem conduzida, ou não
fosse a oradora uma das pessoas mais conhecedoras e bem
cotadas na criação da nossa raça de eleição.
Seguidamente falou a Dra. Carmel T. Mooney, especialista
em endocrinologia de animais pequenos, a sua palestra
centrou-se numa área preocupante para algumas raças
caninas de grande porte, o hipotiroidismo canino,
felizmente esta doença ainda não afecta gravemente a
nossa raça. Foi uma apresentação técnica muitíssimo
interessante, não só porque a oradora sabe profundamente
do que fala, como ainda, por nos ter sido dado a
conhecer os últimos desenvolvimentos, quer a nível
clínico quer a nível de medicamentos, para ultrapassar
esta situação. Seguiu-se um “coffee break”.
Seguiu-se antes do almoço uma palestra pela Dra. Gudi
Stuttard uma veterinária nutricionista da Royal Canin
(patrocinador do evento), o tema abordado, como não
poderia deixar de ser, foi nutrição animal, com especial
incidência para cadelas em gestação, e para os períodos
antes e pós parto. Foi deveras interessante ouvir os
conceitos e aconselhamentos desta veterinária, os
avanços tecnológicos e científicos da industria
alimentar dos pequenos animais, inclusive, tomar
conhecimento de experiências e resultados alcançados na
nutrição de cachorros e de cadelas no período de
aleitação, pese embora o facto da Dra. Gudi estar em
representação de uma marca de rações. Seguia-se o
almoço.
Bem, neste caso, almoço para o ”ZÉ” Portuga, e parece
que também, para a ” MARICARMEN” Espanhola, não pode ser
uma sandwich e um muffin, acompanhados de uma embalagem
de sumo e palhinha dentro de um saco de papel,
consequentemente, resolvemos eu e a Vanessa, ir almoçar
decentemente (?), só que mesmo no restaurante do hotel,
a lista de opções era fraquíssima, existindo de uma
forma diária somente 5 opções, um prato de “carnes
frias” incluindo o afamado rosbife, outro de frango
(alternando unicamente o modo como era confeccionado),
um de carne (assada no forno), o Irish stew, e um prato
de peixe (salmão, perca ou bacalhau), o grande problema
eram os acompanhamentos, em todos os pratos, salvo no
Irish stew, serviram sempre o mesmo, puré de batata,
batata assada, cenoura e ervilhas ou feijão verde ao
vapor, o que convenhamos é uma desagradável monotonia.
Durante a tarde a primeira apresentação esteve a cargo
de Denise Flaim do Rhodesian Ridgeback Club of United
States, esta senhora veio apresentar um programa
informático, ao qual o RRCUS aderiu, que como inovação
tem o facto de o criador se inscrever, inserir o
pedigree dos seus exemplares, informar e inserir todas
as doenças e dados deles, ninhadas, qualidade de
exemplares nascidos, doenças, deformações etc.,
garantindo que após 2/3 gerações, esse programa para
além de guardar todos os detalhes dos exemplares do
criador, também dá aconselhamentos sobre que cães cruzar
e com quem.
Por mim, achei de uma certa inutilidade e exagero tudo
aquilo, muito mais, quando informaram que para se fazer
parte do programa e para manutenção dos dados, se teria
que pagar cerca de 470,00€/anuais. O único dado
engraçado que retive desta intervenção, foi o gráfico
alturas/pesos dos cerca de 1250 exemplares inscritos, o
mais baixo era uma cadela com 58 cm, e o mais alto um
macho com 81cm, a menos pesada uma cadela com 29 kg, e o
mais pesado um macho com 79kg (não é o macho de 81 cm,
esse pesava sómente cerca de 58 kg).
De seguida fez a sua apresentação a Dra. Nicolette
Salmon Hillbertz, uma cientista sueca que ao longo dos
últimos anos tem estudado afincadamente as doenças
específicas da raça, a origem da risca e outras
peculiaridades. Foi sem duvida um dos momentos mais
altos do primeiro dia, tendo inclusive gerado uma forte
troca de opiniões/discussão durante o fórum deste dia. A
Dra. Nicolette apresentou provas concludentes, aliás,
foi a base da sua tese de doutoramento com o nr.
2007:133 “A mutação dominante, que causa a risca dorsal,
predispõe a aparição de quistos dermóides no Rhodesian
Ridgeback” na Universidade Sueca de Agricultura , ou
seja, uma das doenças mais peculiares da raça, o quisto
dermóide, é uma consequência da própria “ridge”, mais,
se forem feitos cruzamentos entre cães com e sem ridge ,
poderemos em 3 gerações erradicar o “Dermoid Sinus”. Tal
situação como devem calcular não foi nada pacífica, pois
se o Sinus é uma praga principalmente nos USA e
Austrália, cruzar cães sem risca iria aumentar
significantemente o numero de nascimentos de cães
“Ridgeless”, o que iria descaracterizar a própria raça,
já que a “ridge” é a sua “marca de origem”.
Após o coffe break, e durante o fórum aberto desse dia,
surgiram duas situações pertinentes, a primeira dizia
respeito à situação actual no Zimbabwe, onde está
sedeado o “Parent Club” e à necessidade premente de se
actualizar/alterar o standard da raça (alterado na
Austrália em 1996), ora com a ausência de representantes
do Zimbabwe, onde está sedeado o Parent Club , e na
impossibilidade de ser o KUSA (Kennel Union of Southern
Africa) a apresentar essa actualização, ficou decidido
que se criaria uma comissão, que para além da realização
desse trabalho, em nome do próprio World Congress,
endereçaria carta à FCI onde exporia a nossa delicada
situação, ou seja, em virtude da inactividade forçada do
Parent Club por motivos políticos, e na subsequente
impossibilidade de apresentação de alterações ao
estalão, solicitar que seja autorizada temporariamente
essa comissão a fazê-lo em sua substituição.
Foi encarregue a Lyz Megginson (Glenaholm), de convidar
seis outras pessoas para essa comissão, neste momento
penso saber alguns dos nomes, senão todos os que foram
convidados, Dorothy Grayson-Wood (Isiqa), Clayton
Heathcock (Camelot), Richard van Aken (Cartouche), Olive
Taylor (President RRCC), Ann Woodrow (Mirengo), Sam
Wallace (Mushana).
Logo de seguida estalou o verniz, como devem saber para
que um clube se possa filiar no Kennel Club, para além
de ter que formalizar toda a papelada burocrática
necessária a nível administrativo, tem que em seguida
solicitar a sua aceitação no KC, para isso, tem que
apresentar o seu plano de implementação, de trabalho,
carta de intenções e um código de ética. Só após
aceitação destes documentos pelos respectivos comités é
que o clube fica filiado e membro de pleno direito.
Acontece que o Midland & Northern RR Club, no seu código
de ética aprovado em meados dos anos 80, tem um
parágrafo onde preconiza que todos os cachorros que
nasçam com “ridgeless”, ou com grave dissimetria nas
coroas, devem ser abatidos.
Ora acontece que as Associações dos “Direitos dos
Animais”, após terem sabido das conclusões do estudo que
indica ser a ridge uma das causas do “Dermoid Sinus”,
imediatamente pressionaram o KC para que exigisse a
imediata retirada desse paragrafo do código de ética, já
que tal, neste momento, já não faz qualquer sentido.
Como soberbos negociadores/diplomatas que são (os
Ingleses), quem está à frente desse comité no KC, logo
escreveu uma carta ao Midland & Northern RR Club
exigindo a retirada desse paragrafo, e informando
inclusivamente que dado os resultados de estudos
recentes, eles KC, passariam a autorizar e dar pedigree
a exemplares resultantes de cruzamentos entre exemplares
possuidores de risca e sem ela, aconselhando e
incentivando vivamente até esses cruzamentos, face aos
resultados desse estudo, tudo na perspectiva de
erradicar o “Dermoid Sinus” da raça.
E
a casa veio abaixo, mandaram-se ao representante do KC
como se não existisse amanhã, nem pensar em retirar uma
coisa que estava aprovada, muito menos, e isso é que era
absolutamente impensável, autorizar cães “Ridgeless” a
cruzar e a obter pedigrees para os seus cachorros, se
assim acontecesse dentro de 6/7 gerações quase não
existiriam cães com ridge. Habilmente, o representante
do KC conseguiu negociar e arranjar uma situação de
compromisso quase “in loco”, eles, Clube,
comprometiam-se a retirar de boa vontade o tal
paragrafo, e ele generosamente intercederia, até porque
compreendia muito bem a nossa situação, junto das mais
altas instâncias do KC, para que fosse revista a tal
situação de ser autorizado procriar com cães
“Ridgeless”, um verdadeiro “artista”.
E
chegou o jantar Irlandês, razoavelmente bem servido, foi
agradável, na minha mesa para além da Vanessa estiveram,
os Eslovacos, Holandeses, o Georg Marek, uma Inglesa e
uma Belga, as senhoras beberam bastante bem, salvo a
Vanessa e a Eslovaca, no final estava tudo muito alegre
e feliz, salvo a rapaziada do Sul e os Eslovacos que
beberam com moderação. No segundo dia, em vez de se
começar com a apresentação da Lindsey Barnes, por não
conseguiam abrir o seu ficheiro com os vídeos,
substituíram-na pela apresentação de um jovem americano
de nome Matthew Valdivia que diz ser caçador (na
América?) com Rhodesian’s. A sua apresentação versava
sobre “Restaurar funcionalmente o Rhodesian Ridgeback”,
também aqui, e mal acabou a projecção dos seus ficheiros
de vídeo, instalou-se a “borrasca”, aquele jovem
esqueceu-se completamente que naquela sala,
contrariamente ao que deve suceder nos States, estavam
alguns participantes que caçaram realmente “caça grossa”
com Rhodesian´s e em África, e que inclusivamente não
eram tão amadores quanto ele. O primeiro vídeo, aquele
em que me insurgi de imediato, sendo secundado, tanto
por Ingleses como por Sul Africanos. Dizia respeito a um
pseudo teste de carácter que os Escandinavos levam a
cabo, só podendo ser obra de ignorantes sobre a raça,
felizmente após a minha intervenção e do Scotty Stewart
(ex guarda do Kruger Park), tiveram o bom senso de
aceitar por completo o nosso ponto de vista.
O
tal teste é feito como se o Rhodesian fosse um cão de
guarda, consequentemente, só poderia dar aquele
resultado. Passando a explicar, o dono encontra-se
impávido e sereno com o cão à trela, dois figurantes com
um enorme chapéu, e totalmente tapados por um pano
branco avançam na sua direcção, à vez, vindos de lados
opostos, o cão começa a ladrar para um e outro e a olhar
para o dono que continua impávido, os figurantes
continuam a avançar, o cão faz ameaças que vai atacar
olhando sempre para o dono, mas este continua impávido,
resultado, a maior parte dos cães não enfrenta os
figurantes, mantendo-se ao lado do dono, e até existe um
ou dois que fogem.
O
que está errado? Primeiro o Rhodesian é um cão de
matilha, portanto nunca trabalha isoladamente, aliás, um
dos seus maiores atributos é saber trabalhar e caçar em
grupo, segundo, o dono, em 90% dos casos é considerado
pelos seus cães como o “líder” da matilha, portanto eles
esperam sempre que ele assuma uma atitude condizente com
essa condição, terceiro e não menos importante, depois
de três ou quatro gerações de cães seleccionados
principalmente por carácter altamente amistoso, criados
e a viveram como “pets”, que nunca sequer foram
treinados nem passaram por situações que os obriguem a
defender o território da matilha, é lógico, e
absolutamente normal, que tenham aquele tipo de
procedimento.
A
minha opinião e desafio baseia-se no seguinte, em vez de
um, usem dois ou três exemplares, em vez do dono ficar
impassível, ele que se mova, interaja e incentive os
seus cães, garanti-lhes que se o fizerem, mesmo com o
handicap de serem pets e nunca terem sido treinados para
tal, os figurantes vão andar numa “roda viva” e não vão
sair de lá “sem serem brindados”. Mais, desafiei-os a
virem fazer o mesmo teste à minha quinta, inclusive sem
a minha presença, eles é que escolheriam entre os
Rhodesian’s que possuo, aqueles que lhes desse a ideia
de terem o carácter mais condescendente e amistoso,
acima dos 9/10 meses claro, e garanti-lhes que teriam
resultados absolutamente opostos.
O
segundo vídeo então era uma pura “chachada” feita por um
autêntico amador, tratava-se de uma caçada real ao
javali(zinho), o porquito não teria mais de 40/45 kg., o
nosso caçador andava com três cães que nunca se tinham
visto naquelas “andanças”, nem tinham sido treinados
para tal, os machos ainda tinham uma postura mais ou
menos correcta, tentando encurralar o animalzinho, a
cadela, essa coitada, andava completamente à deriva, de
tal forma, que depois do bichinho estar encurralado,
passava pela frente dos machos e tentava morder-lhe,
resultado, levou três focinhadas que a mandaram pelo ar,
e que lhe seriam fatais se o animal tivesse um peso e
presas decentes, mais grave ainda, o nosso pseudo
caçador usava uma caçadeira com chumbo grosso em vez de
carabina, só não tendo acertado no javali e nos cães ao
mesmo tempo por puro “milagre”.
Foi então a vez da Lindsey Barnes com a sua intervenção
centrada sobre “A importância de um bom movimento”,
apresentou diversos vídeos de exemplares com belíssimos
movimentos, na sua maioria trabalhos desenvolvidos por
handlers profissionais, foi uma apresentação bastante
interessante embora não viesse trazer nada de novo, em
certo aspecto, até confirmou em grande parte aquilo que
alguns de nós afirmamos, os excelentes e graciosos
andamentos dos Rhodesian estão numa proporção inversa ao
seu físico e funcionalidade, basta atentarmos, que é de
todo improvável que um trabalhador braçal venha a ser um
excelente e gracioso bailarino. Seguiu-se o habitual
“coffee break”.
Seguidamente foi a vez do Dr. Tom Farrington,
veterinário e homeopata, que desenvolveu e adoptou,
diversos tratamentos homeopáticos ao mundo canino, como
uma forma alternativa de correcção e manutenção da sua
qualidade de vida. A apresentação foi extremamente
interessante, foram apresentados sucessos concretos de
tratamentos, levados a cabo exclusivamente com medicação
homeopática, foram apresentados ainda diversos conceitos
de tratamentos a ser administrados para diversas
patologias, foram ainda dados nomes e aplicações de
diversos medicamentos homeopáticos. Muitos deles, que já
conhecia desde os anos 80 através da firma “Dorwest
herbs”, firma que marca anualmente a sua presença no
“Crufts”. Seguiu-se o almoço, mais uma vez acompanhado
do tal puré, das batatas e dos legumes.
De tarde teve lugar a ultima apresentação a cargo da
Dra. Shura Bugreeff, uma veterinária dos states, com o
tema “Como facilitar a reprodução canina”, tema já
debatido em congressos anteriores. Teve como única
virtude, o ter feito a actualização a novos conceitos,
métodos e tecnologias. Seguiu-se o fórum aberto, onde
como atrás se disse foi nomeada uma comissão para
revisão do estalão da raça, mais uma vez foi apresentada
uma sugestão para tornar o congresso Bianual, o que irá
sucederá brevemente com a apresentação do trabalho final
da comissão de revisão dos estatutos. Finalmente o
Canada fez a sua apresentação do Congresso 2012 em
Ontário. Por ultimo, e antes do encerramento do
congresso, tiveram lugar as apresentações dos candidatos
ao congresso de 2016 e a respectiva votação, como já
atrás referi. Nessa noite teve lugar o jantar de gala,
em nada parecido com o dos Estados Unidos, sentiu-se o
charme da velha Europa, o menu foi mais bem cuidado, o
serviço teve bastante requinte, dois músicos, tocando
harpa e violino abrilhantaram todo o jantar com musica
tradicional Irlandesa, os convivas por sua vez estavam
convenientemente vestidos. Foram feitos os
agradecimentos da praxe, e contrariamente ao dia
anterior, as bebidas foram consumidas com muito mais
moderação. Na minha mesa, além da minha inseparável
amiga Vanessa, estiveram Holandeses (insuportavelmente
pedantes), o Georg Marek, uma Belga e uma Inglesa, à
conta do pedantismo exacerbado de um dos casais, ainda
consegui pôr a Inglesa e a Belga a rir de tal forma, que
até sujou o vestido de gelado.
No dia seguinte realizou-se o Dog Show do Congresso, em
machos ganhou o Georg Marek com o campeão IKIMBA WATIMU,
um bonito exemplar, totalmente um show dog, que para mim
pecava por insuficiência de cabeça, alguma falta de osso
e de peso, mas com movimentos fabulosos, mesmo assim foi
este o exemplar que acabou por ser o BEST In SHOW. Em
cadelas ganhou o meu amigo Paul Hewson com a multicampeã
REKAYLAHN BLAZE, para mim, muito mais equilibrada e
muito mais Rhodesian que o macho, isto de um ponto de
vista imparcial, mesmo tendo em conta que o Paul é um
amigo de longa data. Abaixo podem ver fotos dos dois
exemplares, que, e por si só, vos ajudarão a tirar
qualquer dúvida, e a dar-me , ou não, razão pelas
ilações que acima mencionei.
Veremos o que se vai passar com a revisão do estalão, e
se finalmente o Congresso vai optar por um período entre
congressos de apenas dois anos, se assim for, penso que
Portugal está optimamente posicionado para ser um dos
próximos organizadores.